Archive maio 2018

I Pedro

I PEDRO/SÍNTESE

Esta bela carta foi escrita aos crentes da Ásia Menor, a fim de criar neles uma jubilosa esperança diante da perseguição que ameaçava cair sobre eles. Era intenção do apóstolo que esta carta circulasse entre os crentes de herança predominantemente gentia, em congregações localizadas nas províncias do Império Romano onde, provavelmente, o jugo imperial seria mais severo. A igreja não desconhecia a perseguição. Desde às primeiras perseguições no tempo de Estêvão e a dispersão que se seguiu, até à constante fustigação de que era alvo o apóstolo Paulo por onde quer que fosse, os crentes da igreja primitiva haviam experimentado na própria carne a fadiga e a tensão provocadas pelo antagonismo. E agora a ira do demente imperador Nero estava prestes a explodir em Roma, a expensas da igreja. Portanto, o apóstolo Pedro procurou preparar a igreja na Ásia Menor para o desastre iminente que se avizinhava nestas províncias orientais, onde a opressão se espalharia, sem dúvida, de sua origem em Roma. Inspirado de um espírito de pastor fiel e bispo das almas, o apóstolo Pedro envia esta carta pastoral para confirmar seu rebanho na esperança consoladora da vinda do Espírito Santo. Uma vez que estão arraigados em Cristo, devem abster-se dos desejos da carne. Caso se encontrem em uma sociedade hostil, seus sofrimentos por amor à justiça serão, em realidade, uma bênção.

AUTOR

Esta carta de Pedro foi, provavelmente, enviada de Roma aos crentes da Ásia Menor, entre os anos 62 e 69 d.C. Existe uma extraordinária semelhança de pensamentos entre esta carta e a epístola de Paulo aos Romanos (ano 56 a 57 d.C.) e a epístola anônima aos Hebreus (provavelmente em derredor do ano 60 d.C.). Pode ser que o apóstolo Pedro possuisse ambas as cartas quando se encontrava em Roma.

Robert Paul Roth
Doutor em Filosofia e Letras

Tiago

TIAGO/SÍNTESE

Imitando o estilo da literatura de sabedoria do Antigo Testamento, com evidentes pressupostos cristãos. Tiago escolhe o tema da “religião pura” (1:27), a religião do amor divino experimentado no coração. Mostra que a religião pura é posta à prova pelas tentações e pelas dificuldades dos fiéis, e de si mesma põe à prova o carnal e o egoísta. Estas experiências positivas e negativas da religião pura revelam o contraste entre as qualidades espirituais, da sabedoria benéfica e da falsa, da fé verdadeira e da falsa, do eu espiritual e do eu carnal, e da confiança verdadeira e da falsa.
Inequivocadamente cristã em seu reconhecimento das reivindicações de Cristo (1:2; 2:1, 7), e em sua referência à segunda vinda (1:12; 5:7, 8) e à regeneração pessoal mediante a fé (1:18-21), a epístola lembra-nos os ensinos da assim chamada literatura de sabedoria do Antigo Testamento, como se observa em Jó, em alguns dos Salmos, em Provérbios e em Eclesiastes. Coloca o bem e o mal em justaposição e faz referência basicamente ao tema da religião pura e da religião falsa.
O autor tem em mente os crentes fiéis que constituem exemplos da “religião pura” nas provações e vicissitudes. A estes ele anima. Tiago leva em conta também os mais carnais e egoístas, cuja conduta demonstra que não saíram airosos da prova da “religião do coração, quer seja posta à prova na vida dos fiéis ou pondo a prova e julgando a vida das pessoas carnais.
Tiago emprega repetidas vezes o paradoxo ao afirmar a superioridade dos valores espirituais tão comumente descumpridos. Por isso fala-nos de dois tipos de eu. Observa-los-emos à medida que o assunto se desenvolve. Tiago é prático, e sua ênfase não é teológica. O primeiro capítulo, que nos fala do programa de Deus no que concerne à santificação do crente, apresenta em miniatura os temas que serão ventilados com maior amplitude nos capítulos restantes.

AUTOR

A epístola diz ter sido escrita por Tiago. O Novo Testamento menciona três pessoas com este nome. Todavia, a igreja cristã atribui a Tiago, filho de José e Maria, e irmão do Senhor Jesus Cristo, a paternidade literária desta epístola. Tiago, em seus ensinos, apresenta notável semelhança com nosso Senhor. Uma comparação desta epístola com o sermão do Monte revela, pelo menos, doze paralelismos evidentes. Eleito moderador da igreja de Jerusalém, na época posterior ao Pentecoste, Tiago imprime a esta epístola uma nota de autoridade modesta. Sem desculpar-se em nenhum momento, os 108 versículos contém 54 mandamentos.

Stephen W. Paine
Doutor em Filosofia e Letras

Hebreus

HEBREUS/SÍNTESE

Conquanto Deus tenha falado aos pais pelos profetas, agora falou por intermédio de seu Filho. O prólogo afirma o caráter distintivo do Filho. Ele é antes da história, está na história, é superior à história, é a meta da história. Compartilha a essência da Deidade e irradia a glória da Deidade. Ele é a suprema revelação de Deus (1:1-3).
A passagem seguinte (1:4-14) declara de forma inequívoca a preeminência de Cristo. Ele é superior aos anjos. Estes ajudam os que serão herdeiros da salvação. Cristo, em virtude de sua identidade, de sua nomeação divina e do quer realizou, ergue-se por cima deles. Quão trágico é descuidar a grande salvação que ele proclama. Ele cumprirá a promessa feita ao homem de que todas as coisas estarão harmoniosamente sujeitas ao homem. Pode fazê-lo, porque é verdadeiro homem e realizou a expiação pelos pecados. É superior a Moisés. Moisés era servo entre o povo de Deus. Cristo é um Filho que está sobre o povo de Deus. Quão trágico é deixar de confiar nele! Por causa da incredulidade, uma geração toda de israelitas não entrou na terra de Canaã. Os crentes são advertidos contra tal incredulidade. Acentua-se tanto a fé como o fervor para se entrar no eterno descanso de Deus. O evangelho de Deus e o próprio Deus esquadrinham o homem.
O sacerdócio de Cristo é também desenvolvido por comparação (4:14 – 10:18). Os requisitos, as condições e as experiências do sacerdócio arônico se enumeram em comparação com Cristo como sacerdote. Antes de desenvolver com maior amplitude este assunto, o escritor adverte os leitores sobre sua falta de preparação para um ensino mais avançado. Somente a sincera diligência nas coisas de Deus os tirará da imaturidade. Cristo, como sacerdote, à semelhança de Melquizedeque, é superior ao sacerdócio levítico, uma vez que sua vida é indestrutível; foi a um tempo sacerdote e sacrifício; seu sacerdócio é eterno. Seu santuário está no céu e seu sangue estabelece a validez do novo concerto que é igualmente eterno.
A perseverança dos crentes nasce da comunhão com Deus, da atividade em favor de Deus, da fé nele e da consciência do que o espera (10:19 – 12:29).
A cruz como altar cristão e a ressurreição do Grande Pastor são as bases para a ação divina. Estes acontecimentos históricos e redentores estimulam o crente à ação (13:1-25).

AUTOR

Não se menciona o nome do autor. Com exceção da epístola aos Hebreus e da primeira epístola de João, todas as demais epístolas do Novo Testamento designam seu autor, seja pelo nome, seja pelo título.
Desde o primeiro século, o problema da autoria da epístola aos Hebreus tem causado muita discussão. Várias são as respostas dadas pelos crentes da igreja primitiva. Na margem oriental do mar Mediterrâneo e perto de Alexandria atribui-se o livro a Paulo. Orígenes (anos 185-254 d.C.) considerava que os pensamentos do livro eram de Paulo, mas a linguagem e a composição pertencial a outrem. No norte da África, Tertuliano (155-225 d.C.) sustentava que Barnabé escreveu a epístola aos Hebreus. Embora a carta tenha sido conhecida primeiro em Roma e no Ocidente (I de Clemente, datada ao redor do ano 95 d.C. cita Hebreus com freqüência), a opinião unânime nesta região durante 200 anos foi que Paulo não escreveu a epístola aos Hebreus. Estes crentes da igreja primitiva não disseram quem, a seu ver, havia escrito a epístola. Simplesmente não o sabiam.
Em nossos dias os crentes não devem ser dogmáticos acerca de um assunto mantido em dúvida durante tanto tempo. Todavia, os estudiosos das Sagradas Escrituras devem estudar o livro de Hebreus. Um cuidadoso exame do texto grego diz-nos muitas coisas sobre o autor. O livro está escrito num grego brilhante, da pena de um escritor eloqüente. Não se parece, pois, com o estilo de Paulo. Com freqüência, o apóstolo Paulo segue o fio de um novo pensamento antes de haver finalizado o anterior. O escritor da epístola aos Hebreus nunca segue esse processo. O vocabulário, as figuras de dicção e de pensamento apontam a influência alexandrina e filônica (Filo, 20 a.C. a 50 ou 60 d.C.). Paulo não tem essa origem intelectual. O escritor da carta aos Hebreus cita o Antigo Testamento diferentemente de Paulo. Frases de Paulo “como está escrito”, “a Escritura diz”, “boas novas da vossa fé e amor” nunca se encontram na epístola aos Hebreus, embora o escritor cite com profusão o Antigo Testamento.
Não sendo Paulo o autor, quem será? Apolo parece preencher as condições que se encontram no livro. Vinha de Alexandria. Era homem eloqüente e instruído. Era poderoso nas Escrituras Sagradas. As seguintes passagens do Novo Testamento falam-nos de Apolo: Atos 18:24-28; 19:1; I Coríntios 1:12, 3:4-6, 22; 4:6; 16:12; Tito 3:13. É provável que nunca venhamos a estar seguros do nome do autor; se, porém, lermos a epístola com cuidado, chegaremos a conhecê-lo.
A data mais aceita para a escritura desta epístola oscila entre os anos 68 e 70 d.C.

A. Berkeley Mickelsen
Doutor em Filosofia e Letras

Filemon

FILEMON/SÍNTESE

Depois da saudação e da ação de graças a Deus pela fé e pelo amor de Filemon, e da oração para que continue crescendo na graça, o apóstolo Paulo ventila o tema central da carta. Onésimo, escravo que pertencia a Filemon, fugira da casa de seu senhor em Colossos, aparentemente depois de haver cometido um furto. Chegou ã metrópole de Roma onde entrou em contacto com Paulo e converteu-se a Cristo sob a influência e ministério do apóstolo. E então quando Paulo o envia de volta a seu dono legal, com esta carta pessoal de recomendação a seu favor, para ser entregue a Filemon. Roga a Filemon que receba de volta o arrependido (e também convertido) escravo, com boa vontade; que lhe perdoe e o reabilite, já que não continuaria sendo escravo para ele, mas “irmão amado”. O apóstolo mesmo reembolsaria a Filemon qualquer perda que Onésimo lhe houvesse causado, e esperava que aquele procedesse segundo as circunstâncias do amor e do dever cristãos. O relato em sua totalidade nos oferece uma impressionante analogia da história da redenção, narrada no evangelho.

AUTOR

Em três ocasiões o autor desta epístola identifica-se como Paulo (versos 1, 9, 19), e a carta está, além disso, relacionada com aquela que o apóstolo dirigiu aos colossenses (Colossenses 4:10-17); Filemon 2, 23, 24). Sua autenticidade é geralmente aceita. A carta foi, com toda probabilidade, escrita ao final da primeira prisão de Paulo em Roma, mais provavelmente nos anos 61 ou 62 d.C.

Jacobus J. Muller
Doutor em Teologia

Tito

TITO/SÍNTESE

Paulo saúda com afeto a Tito, seu representante apostólico junto às igrejas de Creta; saúda-o como a um “verdadeiro filho, segundo a fé comum”. O apóstolo relaciona seu próprio apostolado com a promoção da “fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade” (1:1-4).
O apóstolo Paulo havia deixado Tito em Creta a fim de reformar uma igreja fraca e corrupta. Escreve esta carta para reafirmar os objetivos que Tito deve promover (1:5). Isto requer a inclusão de diretrizes gerais para o estabelecimento de presbíteros capazes em cada cidade (1:6-9), e para tratar com as influências perniciosas do legalismo judeu e com a mitologização, segundo se encontrava no Talmude e na Midrashim (1:10-16).
Diante de tais problemas, Paulo esboça áreas específicas de responsabilidades morais cristãs que o ministério de Tito deve abranger no que concerne a grupos segundo idades e classes, livres escravos, a fim de cumprirem as obrigações da verdadeira fé (2:10; 3:1, 2). Em duas passagens belíssimas, o apóstolo lembra a Tito aspectos importantes do evangelho. Na primeira (2:11-15) explica a vigência necessária entre a fé salvadora de Deus em Cristo e o comportamento cristão. Na segunda (3:3-7), proporciona-nos humilde testemunho do que Deus fez em sua própria vida, por intermédio de Cristo, e pode fazê-lo também na vida do mais humilde cretense que crer. Insiste na pregação do evangelho e em que se evitem discussões com o legalismo judeu (3:8-11). Paulo termina fazendo dois pedidos (3:12-15).

AUTOR

Não temos certeza quanto ao lugar de onde o apóstolo Paulo escreveu esta carta a Tito. Provavelmente se encontrava na Ásia (Éfeso?) para onde partiu de Roma depois de ter sido posto em liberdade de sua primeira prisão, por volta do ano 63 d.C. Viajando para o leste, deixou Tito em Creta. Envia a carta, provavelmente por mãos de Zenas e Apolo, os quais talvez se achassem a caminho de Alexandria. Ao que parece, a carta foi escrita ao derredor do verão do ano 65 d.C.
Tito é um destacado jovem crente, companheiro de Paulo. Alguns suspeitam que era irmão de Lucas. Em geral é identificado com o Tito de Gálatas 2, crente gentio procedente da igreja de Antioquia (da Síria), que se converteu no caso de prova na controvérsia sobre a circuncisão suscitada na conferência de Jerusalém, cerca do ano 48 d.C. Mais tarde Tito prestou valiosos e notáveis serviços a Paulo ao reconciliar a igreja de Corinto, extraviada pela dissensão. Foi, portanto, muito útil aos crentes cretenses, como dirigente experimentado.

Richard M. Sufferin
Doutor em Filosofia e Letras

II Timóteo

II TIMÓTEO/SÍNTESE

A segunda epístola a Timóteo é, cronologicamente, a última na ordem das três epístolas pastorais. Exala uma atmosfera diferente das outras duas. Na primeira epístola a Timóteo e na carta a Tito, o apóstolo Paulo encontra-se livre para formular planos de viagem e transferir-se de um lugar para outra à vontade. Nesta epístola está preso e seu fim aproxima-se rapidamente (4:6). Não se sabe onde Paulo foi preso a segunda vez, nem por que motivos. Escreve a segunda epístola a Timóteo aparentemente de Roma, onde espera ser executado. Todos o abandonaram, exceto Lucas. Está desejoso de que Timóteo, que se encontra provavelmente em Éfeso, vá a Roma antes do inverno. Todavia, em face de suas próprias circunstâncias, prefere que Timóteo cumpra o ministério para o qual foi chamado. O conteúdo da carta é rico e variado, e inclui vários apelos comovedores, especialmente em vista da situação na qual o apóstolo se encontra. Quatro incumbências e ordens se fazem especificamente a Timóteo, as quais se relacionam principalmmente com sua vida pessoal na qualidade de ministro. A ameaça dos ensinamentos falsos adquire muita importância, tanto nesta carta como na primeira dirigida a Timóteo.

AUTOR

As circunstâncias do escritor, sua teologia, seu vocabulário e seu estilo revelam que as três epístolas pastorais foram escritas pelo mesmo indivíduo. Se o apóstolo Paulo escreveu a primeira epístola a Timóteo, é igualmente o autor da segunda. Considerando-se que esta epístola foi escrita pouco antes da morte do apóstolo, poderia dar-se o ano 64 a.C. como provável data.

Walter W. Wessel
Doutor em Filosofia e Letras

I Timóteo

I TIMÓTEO/SÍNTESE

Desde o princípio do século 18, I e II Timóteo e Tito têm sido chamadas cartas pastorais. Embora não seja totalmente apropriada, esta designação indica a natureza prática do assunto nelas ventilado. Timóteo, pastor inexperiente, ficou encarregado da importante igreja de Éfeso. Paulo, seu pai espiritual, escreve a fim de animá-lo e transmitir-lhe instruções relativas a questões práticas como a adoração em público, requisitos que os oficiais da igreja devem preencher, e confronto com o ensino falso na igreja. Instrui a Timóteo igualmente quanto às relações entre os diferentes grupos da igreja, abrangendo as viúvas, as pessoas idosas, os escravos e os falsos mestres. A primeira epístola a Timóteo contém, portanto, muita informação concernente aos problemas de desenvolvimento da igreja por volta do ano 75 de nossa era. Por toda a carta reflete-se o afeto pessoal do grande apóstolo por seu filho na fé, e sua ênfase no grande requisito para o ministério de Cristo: piedade.

AUTOR

Tradicionalmente, atribui-se a Paulo a paternidade literária da primeira epístola a Timóteo. Esta epístola foi escrita da Macedônia (provavelmente Filipos), por volta do ano 63 de nossa era, no intervalo entre a primeira e a segunda prisão do apóstolo.

Walter W. Wessel
Doutor em Filosofia e Letras

II Tessalonicenses

II TESSALONICENSES/SÍNTESE

O portador da primeira epístola aos Tessalonicenses trouxe a Paulo notícias referentes ao crescimento espiritual dos crentes. Paulo sentiu-se profundamente consolado com o relatório. Além disso, o relatório apresentado ao apóstolo dizia que um ensino errôneo, atribuído a Paulo, já havia chegado a Tessalônica por meio de uma carta falsificada ou devido a informações orais ou escritas tratando de seu ensino. Alguns sustentavam que as tribulações e perseguições que eles sofriam eram as tribulações do dia do Senhor, e em conseqüência disso haviam sido excluídos da transladação, ou então Paulo havia comunicado ensinos errôneos (I Tessalonicenses 4:13 – 5:10). Paulo escreve-lhes a segunda epístola para felicitá-los por seu crescimento espiritual (1:3, 4); para consolá-los em suas perseguições (1:5-10); para transmitir-lhes a informação correta e acalmar os temores acerca do dia do Senhor (2:1-12); e para corrigir a conduta desordenada na igreja (3:6-15).

AUTOR

Pela semelhança das condições nas duas epístolas, chega-se à conclusão de que o apóstolo Paulo escreveu a segunda epístola pouco depois da primeira, provavelmente dentro de um período de poucos meses. Foi escrita de Corinto no ano 51 d.C.

J. Dwight Pentecost
Doutor em Teologia

I Tessalonicenses

I TESSALONICENSES/SÍNTESE

A igreja de Tessalônica, fundada por Paulo durante sua segunda viagem missionária (Atos 17), compunha-se de convertidos judeus, gregos devotos, mulheres nobres (Atos 17:4), e de muitos gentios que tinham vivido no paganismo. Depois de deixar Tessalônica (Atos 17:10), o apóstolo Paulo enviou Timóteo a fazer-lhes uma visita (I Tessalonicenses 3:1-3); mais tarde o citado discípulo leva um relatório a Paulo em Corinto. Muitos tessalonicenses sentiam-se desconsolados pela morte de entes queridos (4:13-17). Alguns estavam ociosos (4:11); e até viviam desordenadamente (5:14). Alguns sentiam-se tentados a voltar aos vícios pagãos (4:1-18). A perseguição era forte (3:3, 4). Alguns punham em dúvida os motivos e o caráter de Paulo (2:1-12), outros ansiavam por sua presença (3:6). Respondendo ao relatório que Timóteo lhe entregara, o apóstolo Paulo escreve de Corinto para felicitar os crentes por sua fé (1:2-10); para defender seu apostolado (2:1-12); para unir-se a si mesmo à igreja mediante vínculos mais estreitos (2:17-3:10); para exortá-los à pureza moral, ao amor fraternal e à diligência no trabalho quotidiano (4:1-12); para consolá-los em sua solicitude pelos seus entes amados que haviam morrido (4:13-17); para assegurar-lhes seu livramento do juízo que se avizinhava em virtude do dia do Senhor (5:1-5); para exortá-los à vigilância 5:(6-11) e para praticarem uma conduta ordenada na assembléia e na vida diária (5:12-23).
As epístolas aos Tessalonicenses são importantes, não só porque figuram entre as primeiras cartas de Paulo, mas também porque revelam muito do caráter do ministério do apóstolo e das condições prevalecentes na igreja, e porque contém tantos ensinos relativos a segunda vinda de Cristo.

AUTOR

No prefácio e saudação (1:1) afirma-se a autoria de Paulo, tendo como seus companheiros Silvano e Timóteo. A opinião unânime dos comentaristas da Bíblia é de que o apóstolo Paulo é o autor das epístolas aos Tessalonicenses. A primeira epístola foi escrita de Corinto, no ano 51 d.C.

J. Dwight Pentecost
Doutor em Teologia

Colossenses

COLOSSENSES/SÍNTESE

Os colossenses dispensavam exagerada atenção a observância de ritos e cerimônias, e também se davam a alguma forma de adoração de anjos. Estavam, pois, contaminados por uma heresia que aparentemente contava com elementos tanto judeus como gnósticos. Paulo ocupa-se do problema ao apresentar-lhes o Cristo incomparável. Em uma notável passagem, o apóstolo fala do que o Senhor Jesus Cristo realizou na redenção e reconciliação, e também se refere à preeminência do Senhor. Cristo é a imagem do Deus invisível. Por ele todas as coisas foram criadas. Ele é a cabeça da igreja. Assim, o apóstolo Paulo apresenta-lhes o Cristo que ele prega. Em virtude da excelência de Cristo e de que ele lhes comprou a salvação, Paulo pode rogar-lhes que se abstenham das sutilezas em que viviam. Estabelece um contraste entre a nova vida em Cristo e sua antiga forma pecaminosa de viver, e insta-os a praticar as virtudes cristãs. Visto que são crentes, devem pautar todas as suas relações segundo a fé cristã. De maneira que fala das relações que devem existir entre marido e mulher, filhos e pais, escravos e senhores. Lembra-lhes que o crente deve comportar-se sabiamente perante os incrédulos. A carta termina com uma série de saudações.

AUTOR

A carta afirma ser escrita por Paulo (1:1). Tem o estilo de Paulo e expressa as idéias do apóstolo. Foi escrita da prisão (4:18), que, segundo muitos, foi o encarceramento em Roma, na fase final de sua vida.

Leon Morris
Doutor em Filosofia e Letras