A semente entre os espinhos e o caminho estreito

A SEMENTE ENTRE OS ESPINHOS E O CAMINHO ESTREITO

Estamos vivendo dias terríveis. Muitos compromissos a serem cumpridos, muitas decisões a serem tomadas. Dizem os antigos que os dias de hoje são mais curtos que os de antigamente. Cada vez mais nos faltam tempo, e o tempo realmente tem se abreviado. Apesar de por vezes acharmos que a volta de Cristo está demorando, e o mundo não crer que Jesus voltará, nós como cristãos não podemos perder este fato de vista: “Cristo vai voltar, acredite ou não. E vem pra julgar, pra dar uma decisão…” (João Alexandre).
O dia de hoje está mais perto da volta de Cristo do que o de ontem que se passou. Amanhã estará mais perto ainda. Cada dia que finda é mais um passo para o cumprimento da profecia.
No meio de tanta agitação e correria, salta aos olhos uma parte especial da parábola do semeador (Mateus 13). Quando Jesus explica esta parábola, ele fala: “o que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt 13.22). Ao contrário das outras sementes que foram lançadas e não tiveram bons resultados, aquela que cai entre os espinhos aparentemente cresce, porém não dá frutos. Foi isto que Jesus disse: “ela fica infrutífera”.
Note-se a diferença: a semente que caiu na beira do caminho, o maligno arrebatou a mensagem do coração; a semente que caiu em solo rochoso não teve raiz em si mesma e quando chegou a angústia ou a perseguição, se escandalizou; mas a que caiu entre os espinhos teve como fim não dar frutos, ou seja, chegou a crescer mas não frutificou. E por quê isto aconteceu? Porque a palavra foi sufocada pelos cuidados desta vida.
Jesus também disse que o caminho que leva à vida é estreito e o que leva à perdição é largo. Se pudéssemos visualizar estas duas passagens da escritura — a semente entre espinhos e o caminho estreito, possivelmente veríamos o seguinte quadro: um caminho bem apertado, que só dá para uma pessoa passar e este pequeno espaço é ainda limitado por espinhos. Assim, se nos desviarmos um pouquinho do caminho, vamos nos ferir nos espinhos e perderemos tempo e forças tentando voltar ao caminho e nos sarar das feridas.
Na Bíblia encontramos que não devemos pensar nas coisas daqui da terra, mas nas coisas do alto (Cl 3.2) e que devemos olhar firmemente para Jesus (Hb 12:2). Então, como poderemos não esbarrar nos espinhos, nem nos desviarmos do caminho, se temos que pensar e olhar ‘para cima’?
Analisando as Escrituras, nos deparamos com o maior capítulo deste livro — o Salmo 119. “A excelência da lei divina” é o título que esta passagem recebeu. Talvez seja este um dos capítulos mais evitados pelos cristãos, pela sua extensão. São 176 versículos. Mas quão rico é este Salmo! Nele, aprendemos especialmente, a caminhar olhando ‘para cima’.
“4Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca (…) 9 De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. (…) 18 Desvenda os meus olhos para que eu contemple as maravilhas da tua lei. (…) 24 Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros. (…) 93 Nunca me esquecerei dos teus preceitos, visto que por eles me tens dado vida. (…) 96 Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado. (…) 97 Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia! (…) 105 Lâmpada para os meus pés á a tua palavra e luz para o meu caminho. (…) 113 Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei. (…) 130 A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.(…)165 Grande paz tem os que amam a tua lei, para eles não há tropeço.” Sl 119
O Senhor Jesus nos diz: “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29).
Paulo também nos diz: “Tudo quanto, outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito.” (Rm 15.4) E ainda: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” (II Tm 3.16)Ainda outros versículos poderiam ser lembrados, mas estes três bastam, para afirmar que não existe crescimento na vida cristã sem a leitura e o conhecimento da palavra de Deus. E ela nunca se esgota. Se você já leu 100 vezes, leia 200.
“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de discernir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Hb 4.12
Vale ressaltar que os versículos citados se referem ao Velho Testamento. Jesus, Paulo e o autor de Hebreus não tinham o Novo Testamento, o qual temos hoje o prazer da leitura. E porque a palavra de Deus é viva, porque o Senhor vela pela sua palavra, porque passarão os céus e a terra mas as palavras do Senhor não passarão, por estes motivos, a Bíblia chegou em nossas mãos com Velho e Novo Testamento. Sem pretender desmerecer o Novo Testamento, nos voltamos para o Velho Testamento, atualmente tão esquecido. Observa-se que o Velho Testamento é quase o triplo do Novo em número de páginas (na Bíblia que tenho em mãos – 911 pag x 306 pag). Este dado numérico nos remete ao fato de que Deus, em sua multiforme sabedoria, quer falar ao nosso coração, nos ensinar, também com o tempo da lei, o qual corresponde a aproximadamente 3/4 da Bíblia.
“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento” Os 4:6
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” II Tm 2.15
A Palavra de Deus é o que nos faz andar com largueza, sem dificuldades em lidar com os espinhos. Nada em nossas vidas deve tomar o tempo da leitura Bíblica e da oração. A nossa comunhão com o Senhor precisa ser prioridade em nosso dia-a-dia. É grande perda que muitos dias passem sem que busquemos um relacionamento íntimo com Deus.
É fato que Deus, em sua grande misericórdia, nos perdoa por aqueles dias que passam sem darmos muita atenção a Ele. Mas o que o Senhor quer ter conosco é intimidade, é comunhão; foi Ele que rasgou o véu, ALELUIA! Ele nos amou primeiro! É preciso que toda a nossa prioridade seja dada ao Senhor. Recordo-me ter ouvido em uma pregação: “quem sabe que não tem nada para dar (ao Senhor), dá tudo o que tem”.
Ele, o grande, o Todo-poderoso, se inclina para ouvir a nossa oração, Ele mesmo nos guarda como a menina dos seus olhos, nos cerca por trás e por diante e sobre nós põe sua mão. Mas, infelizmente, o que oferecemos em troca são orações divididas com caminhadas, com a louça suja na pia, com o volante do carro. É muito bom e devemos orar em todo tempo, mas melhor ainda é acrescentar períodos de exclusividade para o Senhor. “É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que Ele fez habitar em nós” (Tg 4.5).
Quando Moisés desceu do monte Sinai, dos primeiros 40 dias de conversa com o Senhor no monte, se deparou com o bezerro de ouro feito por Arão, e:“Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos, pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: ‘Quem é do Senhor venha até mim’. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, aos quais disse: (…) ‘Consagrai-vos, hoje, ao Senhor; cada um contra o seu filho e contra o seu irmão, para que Ele vos conceda, hoje, benção’” (Ex 32:25-29).
A tribo de Levi não foi escolhida por acaso! Os levitas deram o primeiro passo na direção do Senhor sem se importar com irmãos ou filhos. É isto que Ele quer de nós, o primeiro passo sem olharmos para ninguém, só para Ele. O conhecimento do Senhor é experimental, não é teórico. Mas para isso precisamos dispor o nosso coração para O buscar e cumprir a Sua lei, como fez Esdras; e a boa mão do nosso Deus será sobre nós (Ed 7:9-10). Somos todos chamados a sermos levitas do Senhor. Apesar de usarmos com frequência este termo para designarmos aqueles que trabalham no ministério de louvor em nossas igrejas, o mais correto à luz da palavra de Deus é que todos somos chamados para o sacerdócio. Todos devemos ser levitas.
Voltando à ilustração do caminho e da semente entre espinhos, infelizmente muitos estão parados no meio do percurso, observando os espinhos, quer sejam: os cuidados desta vida, ou mesmo os cuidados com o ministério. Às vezes a intenção é de apenas evitar um possível desvio ou ferimentos, mas, por não conhecerem a palavra, estas pessoas não conseguem sair do lugar. Não avançam no conhecimento do Senhor e, conseqüentemente, não dão frutos porque não estão voltados para a luz, para o Sol, elementos essenciais ao crescimento. Estão parados no caminho e o Senhor espera que voltem a sua atenção para Ele, o Sol da Justiça.
Sem a luz da Palavra de Deus não há caminhada com Cristo.
“Então, conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3).

Que Deus nos abençoe,
Fabiane Rocha Bello
Igreja Batista Adonai – Salvador, BA

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